Atlas Calçadista
Mercado

O calçado em números

Indicadores do setor, a produção desde 2019, exportação e importação, o peso dos Estados Unidos e a NCM do calçado, sempre com a fonte de cada número.

Indicadores do setor

O calçado brasileiro em números

Produção

Produção ainda abaixo de 2019

A pandemia derrubou a produção para 746 milhões de pares em 2020. O setor recuperou boa parte da queda, mas em 2025 produziu 847,5 milhões de pares, 1,9% menos que no ano anterior e ainda abaixo de 2019.

Milhões de pares por ano. 2019 a 2023: Abicalçados (Abinforma, nov./dez. 2024). 2025: 847,5 milhões de pares, queda de 1,9%, dado da Abicalçados (abril de 2026; relatório de junho de 2026). *2024 calculado a partir dessa queda de 1,9%; antes, a entidade havia divulgado 929 milhões de pares para 2024, o que indica revisão da série.

Comércio exterior · janeiro a setembro de 2026

Exportação cai, importação asiática sobe

As exportações recuaram 15,6% em dólares, pressionadas pelos Estados Unidos e pela Argentina, enquanto as importações cresceram 12,5%, puxadas pelo Vietnã. O saldo da balança do setor caiu mais de 56%.

Principais destinos
PaísUS$ milhõesVariação
Estados Unidos130,8−23,8%
Argentina74,3−52,0%
Paraguai35,9+6,4%
Demais da América Latina—+11,2%
De onde vêm as importações
PaísUS$ milhõesVariação
Vietnã250,7+31,1%
Indonésia109,7+1,4%
China37,5+9,5%
Estados que mais exportam
EstadoMilhões de paresUS$ milhõesVariação em US$
Rio Grande do Sul25,3309,2−14,0%
Ceará19,6108,4−23,8%
São Paulo4,462,8−17,7%

O Rio Grande do Sul exporta pares mais caros: quase metade da receita com cerca de um terço dos pares.

Tarifas

Os Estados Unidos e o calçado brasileiro

Os EUA são o principal destino em valor e consomem mais de 2 bilhões de pares por ano, produzindo cerca de 20 milhões. Por isso cada mudança de tarifa pesa nas exportadoras.

  1. agosto de 2025Sobretaxa de 40%

    Somada à tarifa base, eleva a taxa sobre o calçado brasileiro para 50%.

  2. fevereiro de 2026Fim da sobretaxa

    A Suprema Corte dos EUA derruba as tarifas baseadas na lei de emergência (IEEPA) em 20 de fevereiro. No lugar entra uma tarifa global temporária de 10% (Seção 122), de 24 de fevereiro a 24 de julho. Exportadores retomam negócios com os EUA.

  3. 22 de julho de 2026Nova tarifa de 25%

    Adicional pela Seção 301, sem exceção para calçados. Em 16 de julho, a Abicalçados passou a projetar queda de 7,1% nas exportações de 2026.

  4. 24 de julho de 2026Mais 12,5% (Seção 301)

    Tarifa de 10% a 12,5% sobre 60 parceiros substitui a tarifa global; o Brasil está na faixa de 12,5%, que se soma aos 25%: 37,5% de adicional sobre muitos produtos brasileiros. Os dois governos marcaram reunião ministerial em 31 de agosto para retomar a negociação.

Fontes: Abicalçados (16/07/2026), Global Trade Alert, Alston & Bird (24/07/2026), CNN Brasil, via A Gazeta da Bahia (31/08/2026). Situação de outubro de 2026; as tarifas podem mudar.

Classificação fiscal

NCM do calçado (capítulo 64)

PosiçãoO que entra
6401Calçados impermeáveis de borracha ou plástico, com sola e cabedal unidos sem costura
6402Outros calçados com sola e cabedal de borracha ou plástico, como chinelos e tênis sintéticos
6403Calçados com cabedal de couro
6404Calçados com cabedal de matérias têxteis
6405Outros calçados
6406Partes de calçados: cabedais, palmilhas, saltos, solados

O Brasil aplica direito antidumping sobre calçados da China desde 2010, o que ajuda a explicar por que Vietnã e Indonésia lideram as importações.